#TempMAD Um olhar de dentro: Uma carta aberta.

#TempMAD Um olhar de dentro: Uma carta aberta.

O “projecto” ainda não terminou, pelo menos para mim, mas vejo-me obrigado a escrever estas linhas pois vejo um excesso de ruído na timeline que não ajuda a ninguém.

No Sábado (dia 20 Fev 2010) quando entrei no Twitter apercebi-me que alguma coisa de bastante grave estava a acontecer. Não tinha qualquer ideia de quão grave era a situação mas percebi, rapidamente, que havia informação que precisava de validação para depois ser espalhada pela minha rede. Um dos meus primeiros pensamentos foi o de passar essa informação aos media estrangeiros e, em especial, aos que trabalham em países com grandes comunidades Portuguesas de origem Madeirense. Já há muito tempo aprendi que temos sempre um não como resposta e tudo o que vier depois é sempre uma vitória. Foi com este espírito que procurei no Twitter os jornalistas, apresentadores e produtores de orgãos de informação estrangeiros que estavam online para depois entrar em contacto com eles. Por outro lado, tentei também encontrar um contacto de mail que pudesse usar para fazer chegar a informação. Foi através destes dois métodos que entrei em contacto com a CNN, Sky News e diversas rádios na Venezuela a quem tentei disponibilizar a informação que me ia chegando através do Twitter.

A Informação

A informação veio, em primeiro lugar de duas pessoas: Linda Machado (uma cidadã portuguesa que vive na Madeira e que tem feito um esforço enorme para nos manter, a nós, que não estamos lá, informados) e André Rodrigo de Freitas*, o secretário do Presidente do Governo Regional da Madeira que tem sido incansável no seu esforço no terreno e em nos enviar, via Twitter, toda a informação oficial.
São estas duas pessoas, e todos os outros madeirenses que perante a adversidade fizeram um esforço adicional de enviar informação via Twitter, que são de louvar. E não exagero quando digo, e perdoem-me o comentário político, que ambos merecem muito mais uma comenda presidencial do que Pedro Santana Lopes.

Site TempMAD

Foi também através do Twitter que tomei conhecimento do Mapa feito pelo Alexandre Gamela (que conheço do Twitter) e do site feito pelo Dário Ornelas (que não conhecia e nem sequer seguia).  Entrei em contacto com o Dário, via Twitter, a disponibilizar-me para o ajudar e, em especial, para fazer uma versão bilingue da informação para poder redireccionar os media internacionais para o site que ele tinha criado. O Dário disponibilizou-me imediatamente o acesso ao site e a partir desse momento ficámos os 3 (o Dário, o Alexandre e eu) a fazer a manutenção e actualização do site, trocando opiniões via GTalk com o Dário, de acordo com a informação que íamos recebendo via Twitter.

No Domingo, e após falar com o Dário, abri a conta de e-mail tempmadinfo@gmail.com para termos um e-mail geral de contacto e onde agregar informação, em especial para aqueles que procuram familiares e amigos desaparecidos. Desde a abertura dessa conta já demos boas e más notícias mas sei que, todos, temos o sentimento que o que estamos a ajudar, mesmo com os custos emocionais que esta missão acarreta.

O Ruído

Sinceramente, não tenho como colocar isto de outra maneira: Deixem-se de merdas!!! A sério!

Tenho a certeza que nenhum de nós os 3 fez o que fez com esperança de ter qualquer protagonismo. Vejo comentários no Twitter e, os que os fazem, têm sorte em a realidade virtual não estar mais desenvolvida pois levavam de imediato um par de estalos. Vejo ataques pessoais serem feitos (em especial ao Paulo Querido) que não fazem sentido nenhum: Gostem ou não gostem o peso que o Paulo Querido tem no Twitter em Portugal, e na comunidade de língua Portuguesa, não é de menosprezar e o que o Paulo fez foi espalhar a informação pela sua rede que, pelo trabalho que ele tem desenvolvido, espalha as suas mensagens abrangendo muitas mais pessoas do que é normal. Também já vi comentários a atacar o trabalho do Alexandre e do Dário (na linha do “querem ser os donos da informação“) que só fazem sentido para quem não conhece o Twitter: Nesta corrente de solidariedade no Twitter só ficou de fora quem quis! Só não passou informação quem não quis, só não ultrapassou o seu umbigo quem o tem demasiado grande!
Provavelmente os mesmos comentários que vi dirigidos quer ao Paulo, quer ao Alexandre quer ao Dário, também estarão a ser feitos sobre mim mas sinceramente não me interessa. Hoje, assim que pude, entrei em contacto com o Banif, BES e BBVA para disponibilizarem nos seus sites também os IBANS das contas de solidariedade para que a comunidade estrangeira possa também, e de uma maneira mas simples, enviar donativos para a Madeira. Se amanhã me ocorrer outra coisa que penso que possa ajudar, também o farei. Continuo a enviar updates via Twitter e via e-mail para os contactos nos media estrangeiros. Continuamos a responder a pessoas que nos escrevem a perguntar se podemos ajudar a localizar os seus familiares e amigos. Quem quiser ajudar é só dizer.

Conclusões

Pessoalmente, fiz e continuarei a fazer todos os possíveis para manter o site actualizado com as informações que nos vão chegando. O peso emocional que senti ontem ao receber, e de ter “o dever” que enviar para o  Twitter a notícia da morte de uma criança de 3 anos (que não conhecia mas com quem criei uma relação emocial forte) é algo que não esperava (e que me afectou bastante) mas, como já tive oportunidade de dizer ao Alexandre Gamela, quando nos metemos nestas coisas temos que ir até ao fim e ajudar o máximo possível.

O importante não é quem fez mais, quem merece as palmadas nas costas, que nomes são referidos ou não na lista de créditos de um filme não existente: O que é importante é que TODOS, sim TODOS, os que têm participado na #tempMAD com informação, RTs, demonstraram que como comunidade podemos ajudar aqueles que mais precisam de nós numa determinada altura. O que é importante é que todos ajudámos a desfazer dúvidas, ajudámos a estabelecer linhas de contacto, em suma, ajudámos como podíamos e o melhor que sabemos.

Como já disse, quem quiser ajudar é só dizer. E os que não quiserem,  que se fodam!

* Há uns meses atrás tive um desaguisado com André Rodrigo de Freitas no Twitter pois não concordei com uma foto+legenda que ele tinha colocado no Twitter. Isso resultou que ele me tivesse bloqueado situação que permaneceu até Sábado passado. Um exemplo, na primeira pessoa, de como os problemas do passado, de repente, deixam de ter importância quando todos somos confrontados com eventos desta magnitude.

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